O Google começou a sofrer ontem o impacto da decisão de fechar seu site na China. Alguns dos principais portais do país deixaram de oferecer a seus usuários a realização de buscas na internet por meio do google.com, em inglês, e do google.cn, que desde segunda-feira é redirecionado para o site da companhia em Hong Kong. O movimento foi iniciado pelo portal Tom Online, do bilionário Li Ka-shing, que nasceu na China continental, mas construiu sua carreira em Hong Kong. Ontem, o China Daily, editado pelo Conselho de Estado, e o Global Times, ligado ao Partido Comunista, também deixaram de oferecer em seus sites a pesquisa na internet por meio do google.com.
Na segunda-feira, o Google anunciou que deixaria de operar o google.cn a partir da China, em razão de sua decisão de não mais censurar os resultados das buscas. A condição para a empresa ter um site no país era a prática da autocensura, com a incorporação a seu sistema de busca das restrições impostas pelo governo chinês.
Com a transferência do site para Hong Kong, o Google deixou de praticar a autocensura, mas as restrições de acesso à informação se mantêm. O usuário que está na China continental continua a encontrar um site idêntico ao google.cn. A diferença é que agora a censura não é mais feita pelo Google, mas pelo governo chinês.
Apesar de os internautas continuarem a ter a possibilidade de acessar directamente o google.cn – e ser redireccionados para o google.com.hk – a retirada do link directo para o portal de vários sites importantes deverá ter impacto sobre o número de usuários.
A eventual queda no tráfego do portal deverá reduzir a quantidade de anunciantes voltados para o público da China continental.
Isso deverá ter pouco impacto imediato sobre a receita do Google, que facturou no país asiático no ano passado algo estimado em US$ 300 milhões, cifra insignificante quando comparada a seu resultado global de US$ 22 biliões.
Mas a decisão de transferir o google.cn para Hong Kong deverá prejudicar os planos de expansão da empresa no país que tem a maior população de internautas do mundo, com 384 milhões de usuários.
Ontem, o acesso aos sites do Google a partir da China era irregular.
Repercussão
Duas empresas dos EUA que vendem domínios na internet afirmaram ontem que pararam de registar novos endereços na China. Segundo as companhias, a decisão foi tomada após o governo chinês começar a exigir fotos e documentos de identificação de seus clientes para o registo.
Fonte: Estadão
Informaçao, Novidades
China, Google